O Festival de Toronto teve seu dia Amy Adams na ultima sexta-feira, com dois filmes estrelados pela atriz ela brilhou no evento, depois de serem exibidos em Veneza: Nocturnal Animals, de Tom Ford, e A Chegada, de Denis Villeneuve lhe renderam inúmeros elogios. No primeiro, baseado no romance de Austin Wright e com roteiro do próprio Ford, ela é a galerista Susan, que tem uma vida tão glamorosa quanto vazia numa bela mansão modernista em Los Angeles, ao lado de um marido rico e bonito (Armie Hammer), mas ausente.
A crise de Susan, que já não vê nenhuma graça em nada daquilo, é agravada quando recebe um manuscrito do seu ex-marido, Edward (Jake Gyllenhaal), que sempre quis ser escritor, sem muito sucesso. O livro começa com a viagem de férias do professor Tony (o mesmo Jake Gyllenhaal), com a mulher (Isla Fisher) e a filha adolescente. São perseguidos por um carro, que os tira da estrada deserta no meio do Texas. Um trio de jovens (Aaron Taylor-Johnson, Robert Aramayo e Karl Glusman) começa a aterrorizá-los e some com as duas mulheres. Enquanto fantasia com a ficção, Susan começa a repensar suas escolhas no passado e a lidar com sua culpa. Em seu segundo longa-metragem, o estilista Tom Ford discute a masculinidade. O que é ser um homem forte e o que é ser um homem fraco, especialmente num lugar de cultura machista como o Texas, onde Ford nasceu? E o que acontece se um valentão fica fraco ou se um fraco vira valentão? Nocturnal Animals também fala de vingança, da dualidade entre sonho e realidade e da discrepância entre o que se esperava ser no passado e o que se é no presente.

O filme, que ganha ares de thriller com uma atmosfera próxima do noir, é um pouco menos estetizado do que o filme anterior do cineasta/estilista, Direito de Amar, uma bela estreia. Aqui, o visual é um pouco menos limpinho, mas a estética rebuscada às vezes parece a serviço do nada. Falta emoção, talvez por não contar com uma dupla de atores tão forte quanto Colin Firth e Julianne Moore. Ainda assim, há várias cenas boas, como uma de Susan com sua mãe conservadora (Laura Linney) e as várias com o policial interpretado por Michael Shannon, que investiga o crime dentro do livro.

A Chegada — Amy Adams está bem em Nocturnal Animals, mas melhor no longa-metragem do canadense Denis Villeneuve, e é por este que deveria chegar à sua sexta indicação ao Oscar, a segunda como protagonista. A Chegada é um filme estranho, no melhor sentido. Baseado num conto de Ted Chiang, com roteiro de Eric Heisserer, conhecido por produções de terror como o recente Quando as Luzes se Apagam, mistura um pouco de horror com drama e ficção científica.

Aqui, Adams é a Dra. Louise Banks, uma linguista que ajudou o governo a traduzir algumas falas em farsi de insurgentes no Oriente Médio. Ela é contatada pelo Coronel Weber (Forest Whitaker) quando doze objetos voadores não identificados chegam à Terra, pairando sobre regiões que não costumam entrar no mapa de alienígenas tentando invadir o planeta, como Montana, nos Estados Unidos, Venezuela, Serra Leoa e a ilha de Hokkaido, no Japão. O objetivo é que ela tente decifrar a fala de dois dos extraterrestres e descubra o que eles querem. Também convocado é o astrofísico Ian (Jeremy Renner), que acaba sendo um auxiliar de Louise na tarefa.
Apesar de ter um visual por vezes espetacular, A Chegada prefere ser uma ficção científica intimista, que prega a comunicação como a maior arma da humanidade. É no mínimo curioso ter uma heroína que é uma especialista em idiomas, sem que haja qualquer cena de ação. O interesse de Villeneuve não é muito diferente do que tinha em Os Suspeitos e Sicario: Terra de Ninguém. O novo filme é sobre relacionamentos e emoções humanos.

Como Susan, a personagem de Amy Adams em Nocturnal Animals, Louise também é assombrada por seu passado, de uma maneira totalmente diferente. Seus contatos com os alienígenas acabam trazendo à tona, num turbilhão, as memórias de sua filha, que morreu na adolescência, em decorrência de uma doença rara. Enquanto Susan lamenta o passado e, por decorrência, o presente, Louise o celebra, por mais doloroso que tenha sido. A Chegada, no fundo, é também um filme sobre o tempo, o luto e o que nos torna humanos.

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